Dois estudiosos se unem para uma introdução ao Novo Testamento
Os livros não apenas contam histórias; eles também possuem suas próprias histórias. A história deste livro começou quando Mike Bird sugeriu que alguém deveria compilar os extensos escritos de N.T. Wright em um único volume, formando uma introdução ao Novo Testamento. Esse “alguém” acabou sendo o próprio Mike Bird, e juntos, eles produziram uma introdução única ao Novo Testamento: O Novo Testamento em seu mundo: Uma introdução à história, à literatura e à teologia dos primeiros cristãos.
O livro é dividido em nove partes, e a amplitude do material em suas 900 páginas é espantosa. Ele acaba sendo parte Introdução, parte Panorama de todo o Novo Testamento e parte uma “exposição” das obras de Wright. Nenhuma resenha será capaz de abordar cada parte, então restringirei meus comentários principalmente aos pontos fortes e fracos deste volume e à sua elaboração. Antes disso, porém, aqui está uma breve visão geral do conteúdo.
A Parte 1 instrui os leitores sobre como ler o Novo Testamento, discutindo hermenêutica, história, literatura e teologia. A Parte 2 cobre o contexto histórico dos judeus entre os impérios Persa e Romano, o contexto judaico de Jesus e da igreja primitiva, e o contexto greco-romano. As Partes 3 e 4 oferecem uma visão geral de Jesus, examinando sua identidade, morte e ressurreição. A Parte 5 apresenta Paulo e, em seguida, explora cada livro individual do corpus paulino. As Partes 6 e 7 cobrem os Evangelhos e as Epístolas Gerais, e as duas partes finais explicam como obtivemos o Novo Testamento e como ele é relevante hoje.
Para uma introdução ao Novo Testamento, a abrangência do material é notável, abordando desde crítica textual, crítica das fontes, hermenêutica, visões sobre Paulo e Jesus e panoramas dos livros.
Pontos Fortes
Estilo e legibilidade: Tanto Wright quanto Bird possuem um estilo alegre e descontraído. Embora alguns possam considerar isso uma distração em uma introdução, suas vozes trazem leveza ao rigor do trabalho. Eles abordam conceitos difíceis de forma coloquial e os conectam com conceitos modernos, desafiando padrões de pensamento típicos. O livro é agradável de ler por esse motivo.
Visões gerais históricas: Outro ponto forte é o estudo histórico completo, combinado com reflexões sobre a relevância atual do Novo Testamento. Os panoramas dos períodos históricos e do contexto judaico e greco-romano são alguns dos panoramas gerais mais acessíveis e criteriosos que já li sobre esses tópicos. Muitos panoramas históricos se perdem nos detalhes ou assumem um conhecimento prévio dos leitores, mas esta introdução explica claramente os selêucidas e os ptolomeus, por exemplo, e até inclui um mapa dos territórios controlados por eles, sem se perder nos detalhes. Por sua legibilidade e abrangência, este livro pode ser considerado uma das melhores introduções históricas ao Novo Testamento disponíveis.
Capítulos sobre livros individuais: Gostei de como cada livro do Novo Testamento é tratado individualmente. Cada capítulo começa com uma introdução que define o cenário. Só então os debates ou pano de fundo é discutido, seguidos de um esboço do livro com parágrafos resumindo cada seções. Por fim, o livro é colocado em um contexto maior, conectando-o à vida real. Esta abordagem é muito mais eficaz do que as introduções típicas ao Novo Testamento.
Um bom resumo do corpus literário de Wright: Claro, outra força do livro é oferecer uma versão condensada das extensas obras de Wright. A influência de Wright na erudição é difícil de estimar, mas este livro fornece uma visão geral (sim, breve para os padrões de Wright!) de seu trabalho sobre Jesus e Paulo.
Extras: Minha cópia de revisão não incluía o guia de estudo ou os vídeos, mas os gráficos, mapas e imagens no livro são boas adições. Embora nem todos os extras tenham me agradado, a maioria dos resumos, citações, mapas e gráficos são informações úteis e claramente o livro foi cuidadosamente suplementado.
Pontos Fracos
Organização e extensão: A maior fraqueza do livro é a organização e a extensão. A extensão impede seu uso em sala de aula. Além disso, questiono a disposição de algumas seções no livro. Por exemplo, a Parte 1 sobre a leitura do Novo Testamento faz muito sentido como início, mas a elaboração do Novo Testamento (Parte 8) pareceria mais adequada nessa seção inicial, ao invés de estar no final.
Minha maior desorientação, no entanto, é como o livro começa com Jesus (Partes 3 e 4), depois pula para Paulo (Parte 5) e então retorna aos Evangelhos (Parte 6). Entendo que eles desejam seguir uma “ordem histórica” em vez de uma visão mais canônica. No entanto, seguindo estritamente a “composição histórica”, Paulo viria antes de Jesus.
Poucas considerações sobre as Epístolas Gerais: A natureza da inclusão do corpus de Wright significa que as Epístolas Católicas (1–2 Pedro, Tiago, 1–3 João, Judas) são prejudicadas. Isso é comum em introduções ao Novo Testamento, pois há menos livros e debates sobre Pedro, Tiago e João. Assim, enquanto Jesus e Paulo recebem centenas de páginas, as Epístolas Católicas parecem uma reflexão tardia.
Corpus literário Wright-Bird: Esta análise aborda pouco a “teologia” do livro. Parte do motivo é que se você leu Wright e Bird, já sabe o que esperar: ênfase na história, exílio, judaísmo, monoteísmo, eleição, o povo corporativo (coletivo) de Deus e um futuro corporificado e concreto. Wright tende a enfatizar mais a vitória de Jesus na cruz do que a expiação substitutiva penal, e suas visões sobre retidão e justificação permeiam o livro. A teologia de Paulo é mais sociológica e eclesiológica (nova família unida) do que soteriológica (reconciliação com Deus), embora esta última também esteja presente.
Ênfase histórica: A condensação do corpus de Wright é útil, mas também revela a “idade” de sua produção acadêmica. Wright defendeu uma visão mais conservadora e bíblica de Jesus do que a escola do Seminário de Jesus, mas agora fala a um público mais amplo. Isso faz com que a ênfase histórica de Wright seja mais proeminente que a teológica. Embora haja “teologia” no livro, a ênfase está no mundo do Novo Testamento (o título dá essa dica aos leitores). O lado negativo dessa equação, no entanto, é que alguns dos debates que ele aborda são ultrapassados, embora felizmente atualizados com novas roupas. Isso torna o livro um bom resumo da obra de Wright, mas também um tanto datado.
Conclusão
Para uma introdução ao Novo Testamento com uma inclinação histórica e um resumo das obras de Wright, O Novo Testamento em seu mundo é uma ótima adição. Usarei algumas seções em minhas aulas para apresentar a história por trás do Novo Testamento aos alunos.
No entanto, suplementarei essa introdução com um ponto de vista mais bíblico-teológico. Essa sugestão pode revelar minhas preferências pessoais mais do que as fraquezas do volume, mas acredito que a erudição também se inclinou mais nessa direção. A força do volume (um resumo do corpus de Wright) acaba sendo também sua fraqueza, especialmente em relação à ênfase e organização.
No geral, os leitores podem ser gratos a Wright e Bird pelo trabalho e pela forma como conduziram muitas conversas de maneira útil.